Viagem a Minas – Parte II [Belo Horizonte]

15 jun

A então capital de Minas Gerais, a cidade de Ouro Preto, não apresentava alternativas viáveis ao desenvolvimento físico urbano, o que gerou a necessidade da transferência da capital para outra localidade. Com a República e a descentralização federal, as capitais tiveram maior relevo: ganhava vigor a ideia de mudança da sede do governo mineiro, pois a antiga Ouro Preto era travada pela topografia.

Belo Horizonte foi construída entre 1894 e 1897 para ser a nova capital de Minas Gerais e o símbolo da civilização e do progresso que a República desejava implantar no país. A cidade deveria ser cosmopolita e racional e contrastar com a antiga capital, Ouro Preto, expressão do passado colonial, imperial, rural e arcaico.

Projetada pelo engenheiro Aarão Reis, foi uma das primeiras cidades brasileiras planejadas. Elementos chaves do seu traçado incluem uma malha perpendicular de ruas cortadas por avenidas em diagonal, quarteirões de dimensões regulares e uma avenida em torno de seu perímetro, a Avenida do Contorno.

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O traçado perpendicular e diagonal das ruas aliado a suas largas escalas facilitam o transporte e a locomoção. A cidade também conta com uma rede de  metrô.

BH é uma cidade organizada, permeável e limpa. Seus parques e praças trazem o verde a cidade, tornando-a colorida e não cinza.

Cultura e lazer vimos de monte na praça da Liberdade, rodeada de prédios, do neoclássico ao moderno, as ex-secretarias viram museus. O externo neoclássico, mas o interno mais do que moderno.  Com uma excelente infra-estrutura e de acesso a qualquer pessoa. A praça interliga e relaciona todos, formando um rico complexo cultural.

Algumas fotos em BH

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A Pampulha

Em 1940, Juscelino Kubitschek foi prefeito de Belo Horizonte , logo passou a agir sobre as “doenças” da cidade: suas primeiras obras consistiram em renovar a pavimentação da zona central, asfaltar a avenida Afonso Pena e tornar realidade a avenida do Contorno. Com 12 quilômetros, pouco tempo depois a nova avenida seria inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas.

JK passou para a história da cidade como o “prefeito-furacão”, pela quantidade e rapidez das obras que realizou. Havia em Belo Horizonte uma barragem, resultante do represamento de diversos córregos, iniciada na gestão anterior de Otacílio Negrão de Lima para de resolver os problemas de fornecimento de água para a cidade. Juscelino olhou para o empreendimento sob nova perspectiva e vislumbrou o potencial turístico e de lazer que o projeto poderia conter. Convocou o arquiteto Oscar Niemeyer e começou a aventura que marcaria não só sua passagem pela prefeitura de Belo Horizonte como, mais tarde, a construção de Brasília. A novidade chamava-se Pampulha.

“A remodelação do centro urbano havia se constituído meta prioritária; mas essa remodelação não era tudo. A cidade precisava respirar; adquirir seus próprios pulmões; converter-se, enfim, em organismo vivo. Tirando oxigênio do ambiente que a cercava, para absorvê-lo, de modo que sua circulação sanguínea se fizesse de modo racional. Pampulha, pensava eu, poderia se converter no centro de atração turística que faltava em Belo Horizonte” Juscelino Kubitschek

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A Cidade Administrativa

O plano da Cidade Administrativa foi concebido na gestão de Aécio Neves, governador de Minas Gerais, que contratou Oscar Niemeyer para criação dos prédios.  O complexo é composto pelo Palácio Tiradentes, sede da governadoria do Estado de Minas Gerais. O edifício é o maior prédio de concreto protendido suspenso do mundo, com vão livre de 147 metros de comprimento e 26 metros de largura; Auditório JK; Edifícios Minas e Gerais, com as secretárias e um Centro de Convivência. As obras do complexo foram finalizadas no início de 2010.

Auditório JKEdifício Minas e GeraisDigitalizar0001

 

Belo Horizonte possui uma grande amostra de Oscar Niemeyer. Desde quando jovem, com o complexo da Pampulha, até seus últimos anos, com a cidade administrativa, impressiona a qualquer um com suas curvas e pilares que dão leveza ao mais grosso e pesado concreto.

Niemeyer e JK, os dois santos de Belo Horizonte. Não é a toa que quase metade dos prédios que visitei carregavam seus nomes.

 

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