Plano urbanístico do Rio de Janeiro

8 set

Que o Rio de Janeiro é a “Cidade Maravilhosa” todo mundo – literalmente- já sabe.

O que a maior parte das pessoas não conhece é a história por trás da reconstrução da cidade do Rio de Janeiro.

Este mês irei visitar essa bela cidade com outros olhos, e claro, farei um post pra vocês depois. 

Mas hoje estou aqui pra falar sobre essas história.

A cidade do Rio de Janeiro tem seu primeiro grande marco histórico no ano de 1808, quando a família real portuguesa foge de seu país, ameaçada por Napoleão, rumo a sua principal colônia o Brasil, se instalando então na cidade junto com a sua corte de aproximadamente 20 mil pessoas. Isso acarretou em uma superpopulação da cidade, que não tinha a mínima estrutura para essa situação, o que fez então que surgissem os primeiros cortiços da cidade, além de uma primeira leva de expulsão da população de suas propriedades, que passaram a então a ser ocupadas por essa corte.

Após esse momento a então capital brasileira torna-se, cada dia mais, o principal ponto do país, nas questões relevantes à política, economia e cultura, sendo então uma espécie de símbolo nacional perante a visão dos estrangeiros. Porém com uma grande diferença da cidade atual, pois em vez de “Cidade Maravilhosa” a sua fama era de ser “A cidade da morte”.

Essa fama de cidade se devia principalmente por causa de sua estrutura urbana que carregava de maneira intensa o traçado e as características coloniais, que não atendiam mais as necessidades de uma cidade com algo em torno de 200 mil habitantes (1870), nesse momento então é proposta uma primeira reforma que acaba não sendo posta em prática resultando apenas na construção de algumas praças.

Após alguns anos de profundas mudanças no panorama social (fim da escravidão, chegada de imigrantes europeus e aumento da produção de café), a cidade tem seus problemas potencializados, a estrutura urbana de locomoção e transporte, que já era insuficiente há anos piora, há um adensamento populacional da população nos cortiços, que acaba gerando um número cada vez maior de epidemias (varíola, cólera, dengue e febre-amarela), pois esses lugares eram desprovidos de salubridade. A elite da cidade também não suporta mais as antigas ruas apertadas e abafadas, além disso, o porto não tinha mais condições de receber toda a demanda provinda dos novos navios, tendo uma estrutura completamente desatualizada.

Cortiços insalubres eram ambientes de proliferação de doenças no Rio de Janeiro

Nesse momento então, os profundos problemas na cidade acabam por gerar um entrave no desenvolvimento da economia e um medo de uma revolta popular, que fazem o governo federal tomar conta da situação e moldar uma reforma urbana na cidade.

A Reforma Carioca

A reforma do Rio de Janeiro ocorreu entre os anos de 1912 e 1918, por iniciativa do governo federal e foi desmembrada em 3 grandes correntes, a primeira corrente com ponto forno no governo federal, a segunda no governo da cidade e a terceira de origem sanitária.

A primeira corrente teve por objetivo modernizar determinados pontos da estrutura citadina, como o porto da cidade que passou por uma profunda reforma, que tinha como objetivo aumentar a sua capacidade e o tornar apto ao recebimento dos novos e grandiosos navios, isso implicava na construção de novas docas e galpões para atender a esse porto. Essa reforma tem como principal objetivo tornar a economia da região mais dinâmica e melhorar o potencial de negócios internacionais com a importação e a exportação de produtos.

A segunda e principal vertente da reforma carioca se concentrava no ponto de vista urbano e tem como síntese a figura do prefeito Pereira Passos, que era um engenheiro de formação em Paris, durante o período do plano Houssmann. Durante esse período, sua convivência com os engenheiros responsáveis pelo plano acabou por influencia-lo profundamente, somado a isso também é bom destacar que as elites da cidade procuravam de todo o jeito um modo de transformar o seu lugar em algo próximo a Paris, para com isso ressaltar suas preocupações formais e os seus ideais de civilidade.

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Nesse contexto então, a reforma urbana do Rio se dá em uma dimensão próxima a de Paris -pelo menos do ponto de vista ideológico- e consistiu em uma política conhecida como “Bota a baixo”, pois a cidade durante esse período teve grande parte das construções de seu centro destruídas, ora para a abertura e o alargamento de ruas, ora para construção de novos edifícios de arquitetura eclética ou de art nouveau. Entre as principais obras desse período estão as Avenidas central (atual Rio Branco), Beira Mar e Atlântica, além da “Escola Nacional de Belas Artes” e do “Teatro Municipal do Rio de Janeiro” ambos na avenida central.

A terceira parte da reforma de origem sanitária foi conduzida por “Oswaldo Cruz” e consistia no uso da força estatal através da polícia sanitária (que tinha o poder de invadir e destruir propriedades privadas) e da obrigatoriedade de vacinas contra a Varíola e a Febre Amarela, além disso houve também uma política de drenagem de determinas áreas da cidade. As políticas de Cruz e Pereira Passos tem uma grande proximidade, pois eram complementares.

Consequências das reformas

A reforma da cidade trouxe grandes mudanças ao Rio de Janeiro. Em primeiro momento podemos citar a famosa “Revolta da Vacina” que ocorreu no final de 1914 em decorrência da destruição da cidade (que chegava ao ápice nesse momento) com a expulsão das pessoas de suas casas pelo governo através da polícia sanitária e da política de “Bota abaixo”. As classes baixas tinham medo de que essa fosse uma política de extermínio, na qual eles seriam mortos através de um veneno ou algo do tipo. Apesar da revolta a ideia de vacinação obrigatória de Cruz acabou por erradicar a varíola e a febre amarela da cidade.

Outra mudança importante desse momento se dá no ponto de mudança da visão da cidade que ganhou a alcunha de “Cidade Maravilhosa”, além disso houve uma mudança de hábitos em questões relativas à higiene, vestuário e etc. Uma grande fonte para análise dessas mudanças está na comparação das crônicas publicadas antes e depois da reforma.

Apesar dessas mudanças a principal se encontra na expulsão das populações de menor poder aquisitivo do centro da cidade, isso ocorreu pelo aumento do preço do metro quadrado, provindo da diminuição da oferta de moradias nessas regiões como também pelo aumento do padrão de luxo das mesmas. Isso gerou um aumento dos subúrbios que passaram a receber grande parte dessas populações, pois como o preço nos subúrbios também cresceu, houve uma migração das pessoas das classes mais baixas da sociedade para os morros próximos ao centro, pois esses não tinham um “dono”, sendo então uma “solução” para essas famílias, pois a grande maioria não tinha mais aonde ir. Sendo assim o começo do problema das favelas, que perduram até hoje no local.

 

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